A silvicultura brasileira tem elevado a sua importância nos últimos anos, devido à sua finalidade comercial e industrial, como madeira, serraria, papel, celulose e carvão. Dentre as espécies cultivadas, destaca-se o eucalipto (Eucalyptus sp.) da família Myrtaceae, planta originária da Austrália. Seu plantio geralmente convencional e em sistema de monoculturas, favorece a ocorrência de danos de importância econômica por pragas no eucalipto que migram para a cultura.
Como consequência do seu estabelecimento, esses insetos podem causar danos e perdas aos cultivos e em mercados de exportação, aumento de custos de produção, impactos sobre os programas de manejo integrado de pragas, entre outros.
E o correto reconhecimento dessas espécies, através de pesquisas de biologia, flutuação populacional, níveis de danos e manejo integrado pode facilitar medidas de controle de forma mais eficaz, sendo de fundamental importância para garantir a sustentabilidade do setor florestal. Assim dentro do complexo das principais pragas nativas presente na cultura do eucalipto no Brasil, pode-se destacar:
Índice
Pragas no Eucalipto: Formigas cortadeiras
As formigas cortadeiras causam desfolhamento de mudas e plantas adultas. Pertencem aos gêneros Atta (saúvas) e Acromyrmex (quenquéns) (Hymenoptera: Formicidae). As saúvas são reconhecidas por apresentarem três pares de espinhos no dorso do tórax e construírem ninhos enormes cobertos por monte de terra solta. As quenquéns se diferenciam por ter de quatro a cinco pares de espinhos no tórax, e além disso, o seu dorso do gáster (parte do abdômen) é mais rugoso que o das saúvas e constroem ninhos com monte de terra solta, com monte de ciscos ou somente com olheiros (sem terra solta ou ciscos), dependendo da espécie.

Fonte: Agrolink
As espécies mais importantes em reflorestamentos de eucalipto são: Atta laevigata (saúva-cabeça-de-vidro) e A. sexdens rubropilosa (saúva-limão), Acromyrmex coronatus (quenquém de árvore), A. crassispinus (quenquém-de-cisco), A. lundii (quenquém mineira-preta), A. rugosus rugosus (formiga-quiçaçá, formiga-mulatinha) e A. subterraneus (quenquém-de-cisco-graúda, caiapó-capixaba).
Pragas no Eucalipto: Grilos e paquinhas
Causam danos em viveiros de mudas de eucalipto. Os grilos pertencem ao gênero Gryllus (Orthoptera: Gryllidae). É um grupo de insetos extremamente polífagos, com cerca de 2,5 cm de comprimento, de hábitos noturnos. O grilo-preto (Gryllus assimilis) vive em ambientes úmidos, sob torrões e restos culturais. O grilo-marrom (Anurogryllus muticus) faz galerias, deixando montículos de terra na entrada destas, denunciando sua presença na área. As fêmeas se distinguem dos machos pelo seu ovipositor largo e forte. As antenas são mais compridas que o corpo, e as pernas anteriores são adaptadas para a corrida e as posteriores para saltar.

Fonte: Agrolink
As paquinhas Gryllotalpa hexadactyla (Orthoptera: Gryllotalpidae) apresentam biologia semelhante à dos grilos. Possuem pernas anteriores fossoriais, intermediárias ambulatórias e posteriores do tipo saltatórias. Medem em torno de 3,0 cm e coloração pardo-escura. As fêmeas fazem posturas em ninhos subterrâneos e as formas jovens em estágios mais avançados provocam os maiores prejuízos.

Fonte: Agrolink
Pragas no Eucalipto: Lepidópteros desfolhadores
Dentre as espécies mais importantes destacam-se:
Thyrinteina arnobia (lagarta-parda-do-eucalipto):
As mariposas fêmeas apresentam asas brancas, com pontuações esparsas e antenas filiformes (em formato de fio) e curtas, sendo maiores que os machos, que apresentam asas de coloração castanha e antenas pectinadas (em formato de pente). As lagartas são do tipo “mede palmo” e quando bem desenvolvidas, medem cerca de 5,0 cm de comprimento e apresentam coloração castanho-escura, o que as confunde com galhos secos.

Fonte: Agrolink
Eupseudosoma involuta (lagarta das folhas ou lagarta cachorrinho):
Devido à característica física de ser coberta de pêlos amarelados em torno do seu corpo, com 4 tufos de pelos brancos no tórax e uma pinta preta em cada extremidade do corpo e medem cerca de 2,5 cm de comprimento. Os adultos com cerca de 4,0 cm de comprimento possuem asas brancas com a parte dorsal do abdômen vermelha.

Fonte: Edson Roberto
Sarsina violascens (mariposa-violácea):
Apresenta esse nome devido à sua coloração castanho-violáceo no corpo e asas com faixas transversais escuras. As lagartas, que ficam na base do tronco da planta durante o dia, são cobertas com pêlos urticantes compridos de coloração marrom claro e a segmentação do corpo é bem nítida.

Fonte: Agrolink
Pragas no Eucalipto: Besouros desfolhadores
Costalimaita ferrugínea:
conhecido como besouro amarelo da família Chrysomelidae, possui de 5,0 mm a 6,5 mm de comprimento e coloração pardo-amarelada-brilhante, com a região ventral alaranjada sendo facilmente reconhecido no campo pela quantidade de insetos e pelo aspecto rendilhado ou perfurado das folhas quando atacadas.

Fonte: Agrolink
Sternocolaspis quatuordecimcostata:
É um crisomelídeo conhecido como besouro-de-limeira, onde os machos possuem cerca de 7,0 mm e as fêmeas 9,0 mm e apresenta uma coloração verde-azulada brilhante com antenas negras-azuladas e as asas (élitros) têm carenas longitudinais com pontuações circulares entre elas. Os adultos atacam a parte aérea das plantas, perfurando o limbo ou destruindo totalmente as folhas.

Fonte: Agrolink
Cupins-das-mudas
Provocam danos nas raízes e anelamento do caules de mudas até a idade de um ano. Dentre os gêneros importantes destacam: Syntermes spp. (cupim-da-muda; cupim-de-solo), Cornitermes spp (cupins de montículos) e Nasutitermes spp (cupim cabeça-de-negro, com construção de ninhos arbóreos).

Fonte: Agrolink
Cupins-do-cerne
Causam o broqueamento do cerne de árvores com mais de dois anos de idade, que acabam ficando ocas. Constroem seus ninhos em raízes de árvores velhas ou em madeira ainda não completamente seca. Dificilmente os danos são notados, pois o eucalipto não apresenta sintoma de ataque. Isto somente é notado por ocasião da exploração ou pela ação de ventos, que provocam a queda das árvores atacadas, enfraquecidas pela ação do cupim. As principais espécies são dos gêneros Coptotermes spp. e Heterotermes spp.
Referências
BARBOSA, L. R.; QUEIROZ, D. L. de; NICKELE, M. A.; QUEIROZ, E. C. de; REIS FILHO, W.; IEDE, E.T.; PENTEADO, S. do R. C. Pragas de eucaliptos. In: OLIVEIRA, E. B. de; PINTO JUNIOR, J. E. (Ed.). O eucalipto e a Embrapa: quatro décadas de pesquisa e desenvolvimento. Brasília, DF: Embrapa, 2021. cap. 19.
SANTOS, G. P.; Zanuncio, J. C.; Zanuncio, T. V.; Pires, E. M. Pragas do Eucalipto. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v.29, n.242, p. 43-64, jan./fev. 2008.

Leonardo é formado em Administração com ênfase em Agronegócios pela Universidade Estadual Paulista – “Júlio de Mesquita Filho”. Atualmente é aluno do MBA de Agronegócios da ESALQ/USP. Trabalha como Analista de Operações da Gênica – Inovação Biotecnológica.