Spodoptera frugiperda: 5 passos para combater

Considerada uma das pragas de maior importância da agricultura brasileira, a Spodoptera frugiperda é temida pelos agricultores. Também conhecida como lagarta-do-cartucho ou lagarta-militar é uma praga polífaga, ou seja, apresenta diversas plantas hospedeiras. O que mais surpreende na espécie é a voracidade que causa danos e sua capacidade de resistência a defensivos químicos.

Mas não se assuste! Com o conhecimento e correção certos é possível livrar seu cultivo desta praga. Conheça os 5 passos para combater Spodoptera frugiperda de uma forma eficiente.

Índice

Identificando a Spodoptera frugiperda

A espécie apresenta características bem definidas. A fase que causa danos é a fase larval. Sua coloração varia entre o cinza-escuro, verde, marrom ou preto, de acordo com sua alimentação.

Seu corpo pode chegar até 5 centímetros de comprimento e apresenta pontos pretos e três linhas brancas amareladas no dorso (Fig.1).

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Figura 1: c.
Fonte: Paulo Lanzetta, Embrapa.

Na cabeça apresenta um desenho de “Y” invertido (Fig.2), específico da espécie e que facilita sua identificação. É uma lagarta bastante agressiva e é canibal, por isso, é comum encontrar ela isolada nas plantas.

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Figura 2: Detalhe do “Y” invertido característico da espécie.
Fonte: Pioneer Sementes

Ciclo de vida da praga

Conhecer o ciclo de vida da praga permite que você tome a ação corretiva de uma forma mais eficiente. A lagarta-militar apresenta as fases de: ovo, lagarta, pupa e adulto.

O ciclo total de desenvolvimento fecha em torno de 30 dias. Uma fêmea pode ovipositar até 300 ovos, que são colocados em massa, em camadas sobrepostas.

Os ovos apresentam uma coloração clara, que se torna mais alaranjada ao longo do desenvolvimento do embrião.

A lagarta é a fase que causa os danos e apresenta características bem definidas como apresentado no item 1. A lagarta quando deixa a planta, penetra no solo e se transforma em pupa, com aproximadamente 15 mm de comprimento.

O adulto são mariposas que apresentam as asas anteriores parda-escura e as posteriores branca-acinzentadas.

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Figura 3: Ciclo de vida de Spodoptera frugiperda.
Fonte: Research Gate

Como reconhecer os danos da Spodoptera frugiperda

Os danos da praga se iniciam no período vegetativo. Os dados variam de acordo com a cultura e podem reduzir entre 20 a 60% da produtividade agrícola.

Em regiões onde são realizados cultivos sucessivos, a praga pode migar para os cultivos subsequentes e para plantações vizinhas. Quando atacam no estágio muito inicial do cultivo ou na plântula pode ocasionar corte e morte de plantas jovens.

Vamos ver os danos desta praga em três importantes cultivos agrícolas:

Milho

Quando jovem, a lagarta se alimenta “rapando as folhas”, o que caracteriza o início da sua infestação. Durante seu desenvolvimento passa a se alimentar do colmo, o que afeta diretamente a produção de fotoassimilados e produtividade.

Na fase reprodutiva se alimentam diretamente das espigadas, reduzindo o valor do produto no mercado.

Soja

Inicialmente pode atacar as plântulas e reduzir seu estande.

Na fase vegetativa causa desfolha acentuada e reduz produtividade.

Já na fase reprodutiva causa danos diretos por se alimentar das folhas e vagens.

Algodão

Se alimentam das folhas do cultivo, mas preferem se alimentar das brácteas e botões florais. Em ataques mais severos perfuram o interior das flores e base das maçãs, que são abortadas.

Como monitorar a Spodoptera frugiperda?

O monitoramento pode ser realizado através de feromônios ou avaliação visual. Quando o nível de controle da praga é atingido recomenda-se o uso de inseticidas químicos ou biológicos.

A recomendação para armadilhas de feromônio é uma a cada hectare e o nível de controle é atingido quando três mariposas são capturadas (Fig.4).

Para monitoramento visual, o controle deve ser aplicado quando houver 20% das plantas atacadas. Para plantas entre 40 e 60 dias, a porcentagem é de 10%.

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Figura 4: Armadilha delta de feromônio para monitoramento de adulto de Spodoptera frugiperda.
Fonte: Embrapa

Controle da Spodoptera frugiperda

O controle pode ser realizado através de defensivos químicos ou biológicos. Existem diversas moléculas químicas indicadas para seu controle. No entanto, pela característica de resistência da praga, algumas estão deixando de ser eficientes. Fique de olho e monitore as aplicações.

Os produtos biológicos apresentam excelentes resultados no manejo da lagarta-militar.

Um grande aliado do produtor no combate é o Baculovirus, grupo mais comum e mais estudado dentre os vírus patogênicos para insetos.

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O produto é pulverizado no campo e a lagarta ao iniciar a raspagem é infectada pelo vírus, diminui sua alimentação e morre dentro de cinco dias. Ensaios de campo realizados pela Embrapa mostraram a mortalidade de 75% a 95% de Spodoptera frugiperda.

Os resultados são excelentes, mas a aplicação deve ter todos os cuidados para manter eficiência. É fundamental que o produtor realize o preparo da calda de forma correta, respeite a vazão, utilize o bico correto, realize uma boa cobertura e aplique no momento correto.

A recomendação é aplicar duas vezes, de dez a 12 dias após a germinação da planta e de sete a 12 dias após esta. Sempre monitore a lavoura, observe a presença de raspagens e tenha o histórico de infestação de lagartas atualizado.

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