No segundo artigo da Série Algodão, vamos trazer informações valiosas sobre o os benefícios associados ao manejo do espaçamento na cotonicultura.
Na cultura do algodoeiro, o número de plantas e o espaçamento interferem diretamente na produtividade.
Quando o manejo é realizado de forma incorreta, pode acarretar prejuízos no crescimento e desenvolvimento da planta. Por isso, conhecer o espaçamento correto e sua importância é um ponto chave o sucesso na colheita.
Índice
A importância do espaçamento no cultivo
O espaçamento a ser utilizado durante a semeadura é uma das primeiras decisões tomadas pelo produtor no início da safra. Este define a população e o arranjo das plantas e pode interferir no rendimento e nas operações a serem realizadas na lavoura como aplicações de defensivos, colheita, etc.
A escolha do manejo pode determinar o sucesso ou insucesso da colheita, atuando diretamente na produtividade.
A decisão pelo espaçamento ideal depende do conhecimento de vários fatores, como a cultivar utilizada, fertilidade do solo, manejo empregado, sistema de cultivo e tipo de colheita.
Alterações no espaçamento podem induzir uma série de modificações no crescimento e desenvolvimento do algodoeiro, dentre elas, o número de ramos reprodutivos. Por isso, sua escolha deve ser realizada a partir do conhecimento das características associadas a cada área de produção.

Foto: Luciana Franco
Gerenciando a população de plantas
Não podemos falar sobre espaçamento, sem falar do ajuste da população de plantas no cultivo.
A população é quantificada pelo número de plantas por unidade de área e determina o tamanho da área disponível para cada indivíduo, dentro da lavoura.
A melhor forma de se adequar a população de plantas é de acordo com o hábito de crescimento da cultivar utilizada, a disponibilidade de água e a fertilidade do solo.

Por exemplo, quanto mais abundante o porte da planta, menor será a população de plantas na área. De forma geral este número fica na faixa de 50 mil a 100 mil plantas/ha.
Tipos de espaçamento e seus benefícios
A cotonicultura no Brasil é predominantemente mecanizada, por isso o espaçamento depende do que é exigido pelas colheitadeiras disponíveis no mercado.
De forma geral, a predominância é por espaçamentos entre 0,90 x 0,76 m. Entretanto, existem outras formas de manejo que podem garantir melhores resultados.

Espaçamento para cultivares com maior massa foliar:
Quanto mais abundante for a área foliar de uma cultivar, maior será seu espaçamento.
Plantas de grande porte necessitam de maior espaço para se desenvolverem adequadamente.
Caso sejam semeadas em espaçamentos curtos, perdem o vigor e reduzem a produtividade.
Espaçamento para regiões sujeitas a estresse hídrico:
Caso a lavoura esteja localizada em regiões sujeitas a estresse hídrico como centro-oeste, centro-sul e norte do Brasil recomenda-se uma população de 50 mil plantas/ha e espaçamento de 1,0 x 0,20 m para solos com baixa matéria orgânica e 100 mil plantas/ha e espaçamento de 0,9 x 0,12 m para aqueles com alta matéria orgânica.
A diferença da matéria orgânica permite que o solo retenha mais ou menos água diminuindo a competição hídrica entre as plantas.
Espaçamento para algodoeiro irrigado:
A irrigação favorece a semeadura com maior população de plantas e menor espaçamento.
Espaçamento adensado:
O espaçamento adensado se viabilizou principalmente após o surgimento de herbicidas pós-emergentes para folhas largas. Além disso, cultivares transgênicas resistes a herbicidas, o correto emprego dos moderadores de crescimento e a adaptação de algumas colheitadeiras a diferentes espaçamentos favoreceram o uso da técnica.

Neste manejo, o ideal é que seja entre 0,45 x 0,10 m, e permitindo a produção de até 300.000 plantas/ha.
Entretanto, para que o adensado seja eficiente, algumas mudanças são necessárias como o uso de cultivares mais precoces e de ciclo médio, controle eficiente de plantas daninhas e pragas e doenças.
Considerações
A escolha do espaçamento levando em consideração as características de cada região é fundamental para uma boa produção. É essencial que o produtor rural conheça as vantagens de cada manejo e adeque sua produção àquele que traga os melhores rendimentos.
Referências
EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Algodão: 500 perguntas, 500 respostas. Disponível em: http://mais500p500r.sct.embrapa.br/view/pdfs/90000001-ebook-pdf.pdf.
IMAmt – Instituto Mato-Grossense do Algodão. Solos e Sistemas: de produção para o algodoeiro. Disponível em: < http://www.imamt.com.br/system/anexos/arquivos/188/original/manual_3_cap2_1_.pdf?1359743094>
Kaneko F.H., et al. (2014) Resposta do algodoeiro em cultivo adensado a doses de nitrogênio, fósforo e potássio. Agrarian: 7: 382-389.
Lacerda, A.L.S. Efeito de população de plantas nas características agronômicas na cultura do algodão. 2006. Artigo em Hypertexto. Disponível em: http://www.infobibos.com/Artigos/2006_3/algodao/index.htm.
