No primeiro artigo da Série Algodão aqui no Agroinovadores, vamos falar sobre o tombamento, doença causada por fungos presentes no solo e nas sementes. Sem o manejo correto, estes patógenos podem causar danos consideráveis à cultura, reduzindo a produtividade e podendo ocasionar a necessidade de ressemeadura. Por isso é fundamental conhecer suas causas e forma de controle.
Índice
Tombamento do algodão: aspectos relevantes
O tombamento, uma das principais doenças que afeta o algodão, é causada por um complexo de fungos presentes no solo e na semente. Também conhecida como meia, morte de midas, rizoctoniose ou antracnose, causa grandes prejuízos ao cultivo e está presente em todas as regiões produtoras de algodão no Brasil.
Os estados mais afetados são Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Bahia.

Dentre os patógenos causadores da doença os se encontram espécies dos gêneros Colletotrichum, Fusarium, Pythium e Rhizoctonia. No entanto, a principal espécie fúngica associada a doença é a Rhizoctonia solani, ocorrendo em mais de 95% dos casos registrados na região do cerrado.
Os sintomas iniciais ocorrem na pré e pós emergência e se caracterizam por murchamento das folhas e aparecimento de lesões irregulares de coloração pardo-escura.
As lesões também podem ser observadas no caule da plântula, na mesma face de inserção da folha.
Quando os sintomas acometem todo o caule ocasionam o tombamento e posterior morte da plântula (Fig. 1 e 2).
As condições climáticas favoráveis (umidade e calor) e o preparo intensivo do solo, facilitam a disseminação do fungo e aumentam o potencial de inóculo do agente causador no cultivo.
O uso de sementes de baixo vigor também favorecem a ocorrência da doença.

Foto: Clemson University
Tratamento de sementes
Dentre as opções de manejo tombamento do algodão, o tratamento de sementes com fungicidas é considerada a prática mais eficiente e econômica de controle.
A prática se torna indispensável quando a quantidade de sementes na semeadura é reduzida, para que não exista a necessidade de desbaste. A técnica é considerada como uma das medidas mais eficazes para controle da doença e é uma importante ferramenta associada ao Manejo Integrado de Pragas.
O principal efeito do fungicida acontece na fase inicial do desenvolvimento da cultura, até o 15º dia após a emergência da plântula. Nesse período, ocorre uma eficiente proteção do algodoeiro, o que proporciona a obtenção de populações adequadas de plantas com a adoção da prática. É importante salientar que os fungos causadores da doença do tombamento não são controlados através da rotação de culturas, pois são capazes de se manter no solo por períodos indefinidos e utilizam outras espécies de planta como hospedeiro para desenvolvimento.
Em função de seu baixo custo e em vista dos benefícios que proporciona, busca-se estimular os cotonicultores a usar essa tecnologia. Chitarra et al. (2019) salientam que, como o nível de tecnologia de produção de sementes no Brasil ainda não é considerado um dos mais elevados, por isso, o tratamento de sementes com fungicidas faz-se necessário ou até mesmo indispensável para a proteção dos cultivos à doença.

Fungicidas Recomendados
Os fungicidas registrados para tratamento de sementes de algodão que estão disponíveis no mercado brasileiro pertencem ao grupo dos sistêmicos e protetores.
A combinação destes dois grupos proporcionam melhor emergência das plântulas e melhores índices no controle do tombamento.
Como os fungicidas sistêmicos proporcionam maior espectro de ação no controle de fungos presentes no solo, a combinação entre os dois tem sido altamente recomendada.
Os principais ingredientes ativos presentes nos produtos para controle do tombamento do algodoeiro são: Flutriafol; Carbendazim; Captana; e as combinações de Azoxistrobina + Tebuconazole; Carbendazim + Flutriafol; Azoxistrobina + Difenoconazol.
O uso de sementes tratadas com fungicidas eficientes é uma forma segura e barata de se praticar o controle do tombamento do algodoeiro. É uma tecnologia de fácil execução e barata, vindo ao encontro da necessidade de racionalizar o uso de produtos químicos na agricultura.
Por isso, é importante que o produtor esteja sempre atento aos sinais de infecção de plantas em seu cultivo além de adquirir sementes de boa qualidade.
Com o manejo correto, monitoramento adequado e insumos de boa qualidade as possíveis perdas acarretadas pela doença são minimizadas, garantido plantas mais saudáveis e com maior produtividade.
Este é o primeiro artigo da Série Algodão aqui no Agroinovadores, continue nos acompanhando e para mais informações e conteúdo.
REFERÊNCIAS
Chitarra L G., et al. (2019) Tratamento de sementes de algodoeiro com fungicidas no controle de patógenos causadores de tombamento de plântulas. Revista Brasileira de Sementes, 31: 168 – 176.
Goulart A C P. (2001) Fungos no algodão. Revista Cultivar, 23-26.
Goulart A C P. (2008) Efeito do Tratamento de Sementes de Algodoeiro com Fungicidas no Controle do tombamento de plântulas e da mela causados por Rhizoctonia solani. Embrapa – Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/255765/1/BP200846.pdf
Goulart A C P. (2008) Controle do Tombamento de Plântulas de Algodoeiro causado por Rhizoctonia solani pelo tratamento de sementes de fungicidas. Embrapa – Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento. Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/38742/1/BP200845.pdf
